Memória Afiada



Fique ligado: guardar informações importantes faz muito bem para sua carreira.

Revista Você S.A. - por Cássio Henrique Utiyama

"Corno seu trabalho contribui para o sucesso da organização?", "Qual é a melhor pergunta que você faria a alguém que acabou de entrar para a empresa em que você trabalha?', "Pelo que você deseja ser lembrado?" Essas perguntas, que também podem funcionar como estímulo para urna reflexão sobre a carreira, fazem parte de uma lista preparada pela consultora Chris Clarke-Epstein, autora do livro Check-list dos Líderes - As Perguntas Fundamentais que Todo Líder Deve Saber Responder (Editora Campus). Na opinião dela, todo líder precisa ter na ponta da língua resposta para nada menos que 78 questões do gênero. Assim, também terá condições de questionar seus clienntes e sua equipe e de melhorar sua performance. Nas entrelinhas, o livro toca em uma questão que é crucial para a carreira: a importância de ter uma boa memória. Trata-se de uma competência que transcende qualquer hierarquia - porque líder ou não, para dar conta do recado, todo profissional precisa ter um bom banco de dados mental.

Muitas das perguntas sugeridas pela consultora no livro são relativamente fáceis de responder porque têm a ver com experiências pessoais. E é muito mais simples memorizar algo que vivenciamos ou que faz parte de nosso dia-a-dia. Mas, no mundo aí fora, a história é bem diferente. O check-list da autora americana é modestíssimo, se você parar para pensar na carga de informações a que está exposto diariamente. O jornal que você lê, por exemplo, contém mais informações do que um cidadão inglês do século 18 recebia em toda sua vida. Um estudo feito nos Estados Unidos revelou que, para se manter atualizados, jovens executivos lêem diariamente o jornal e cerca de 100 e-mails, além de cartas, memorandos e malas-diretas. Sem falar que, todo santo dia, assistem a pelo menos um noticiário na TV e tomam conhecimento de 170 documentos. Como se não bastasse, ainda têm de dar conta da leitura de livros e revistas especializadas.

  • No meio de tudo o que precisamos nos lembrar, esquecer o nome das pessoas é o bloqueio de memória mais comum. "Nomes próprios não têm conotação", dizia o economista e filósofo inglês John Stuart Mill. Era assim que o autor do clássico Princípios em Economia Política justificava sua péssima memória para guardar nomes. A desculpa de Mill para as peças que sua memória lhe pregava não era totalmente furada. Para o psicólogo Daniel Schacter, chefe do departamento de psicologia da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, o motivo de ter um branco toda vez que precisamos nos lembrar do nome de alguém é muito simples: um nome revela pouco sobre a pesssoa. "Quando digo que tenho um amigo chamado John Baker, a única informação que transmito é que ele tem um nome anglo-saxão relativamente comum", escreveu Schacter em Os Sete Pecados da Memória (editora Rocco). É por isso que, muitas vezes, na hora H, você é capaz de se lembrar de onde conhece determinada pessoa e até mesmo o que ela faz, mas misteriosamente não se recorda do nome dela.

    O problema é que, mais de um século depois da morte de Mill, esquecer o nome das pessoas deixou de ser apenas motivo de constrangimento no trabalho e na vida pessoal. Na verdade, isso é apenas uma parcela ínfima do que você não deve esquecer. No século 18, Napoleão Bonaparte já intuía o papel estratégico de sua memória para conquistar a confiança e a admiração de seu exército. Alguns relatos sobre a vida do imperador francês contam que ele pedia a seus generais para lhe contar detalhes da vida pessoal de seus soldados. Guardava as informações e, um dia, sem mais nem menos e na frente de toda a tropa, chamava o soldado pelo nome e começava a conversar sobre o que ouvira. O soldado, claro, ficava surpreso com o interessse do comandante. O resto da tropa, também. Com isso, Napoleão conquistava a admiração de seu exército, que acreditava que ele conhecia bem os que lutavam a seu lado. Com a estratégia de fazer a memória trabalhar a seu favor, ele reforçou um dos mandamentos básicos da boa liderança: o interesse pela equipe.

  • Informações de mais, memória de menos

    Mais do que apenas se recordar de nomes e fatos, você exige que seu cérebro aprenda novos conceitos, julgue situações e tome decisões. As demandas são tantas e o mundo em que vivemos é tão complicado que o National Institute of Health, agência ligada ao departamento de saúde do governo americano, declarou que a década de 90 seria a década do cérebro. "Há uma crescente preocupação em prevenir o declínio e reforçar o bem-estar cognitivos", afirma o neurologista russo Elkhon Goldberg, da New York University School of Medicine, no livro O Cérebro Executivo (editora Imago). Essa supervalorização da memória anda dando muito trabalho aos laboratórios farmacêuticos, que estão numa corrida frenética para descobrir uma pílula que não deixe absolutamente nada cair no esquecimento. Existem pelo menos 60 drogas esperando a aprovação da Food and Drug Administration (FDA), a agência do governo americano que fiscaliza medicamentos e alimentos.

    A obrigação imposta pela sociedade de estar por dentro de tudo o tempo todo, somada ao excesso de informação existente, gera o que os psicólogos chamam de síndrome da fadiga de informação. Essa condição provoca um senhor estresse, um dos fatores que mais atrapalham na capacidade de memorização. "Cerca de 70% da população economicamente ativa no Brasil é estressada. E a cada ano esse número aumenta 1,5%", diz a psicóloga gaúcha Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management no Brasil. Segundo Ana Maria, as pessoas se queixam de falta de memória quando, na verdade, estão é com dificuldades de concentração por causa do estresse.

  • Conexões criativas

    Para entender como sua memória funciona, imagine a palavra "cortina". Num primeiro momento, um módulo, ou seja, um conjunto de neurônios, células do cérebro que estão relacionadas à memória e aos pensamentos, liga essa palavra com a imagem de uma cortina. Com o passar do tempo, seu cérebro começa a armazenar novos conceitos com a mesma palavra. Por exemplo: toma conhecimento de expressões correlatas como cortina de ferro, cortina de fumaça etc. "Então, quando você ouve uma dessas expressões, o cérebro aciona o módulo em que está gravada a palavra "cortina" e também algumas partes de outros módulos, os micromódulos, que contêm as outras informações necessárias para completar a compreensão do conceito", explica o psiquiatra Henrique Schützer Del Nero, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    Esse também é mais ou menos o mecanismo que está por trás de uma resposta criativa e inusitada para um problema complicado. Criatividade e memória, aliás, andam juntas. "A conexão não prevista entre módulos, e sobretudo entre micromódulos, é o que refina o processo de descoberta e invenção", diz DeI Nero. O estresse e o passar dos anos, infelizmente, prejudicam a comunicação entre os neurônios. Alguns problemas de saúde também? Como não é possível parar o tempo e ainda não existe uma droga capaz de turbinar a memória, o jeito é tomar alguns cuidados relativamente simples. Assim, você fica com a cabeça boa:

    - Selecione as informações - já que não dá para saber dudo, não sature seu cérebro com informações sem importância. Você se cansa e, não aprende nada. O segredo é buscar conhecimento pertinente, conhecimento aplicável a seu dia-a-dia.

    - Prepare um dossiê Você S.A - Karin Parodi, diretora do Career Center, consultoria paulistana de planejamento de carreira, acredita que manter o currículo atualizado é uma das maneiras mais eficientes de não se esquecer dss conquistas profissionais. "A carreira muda, conhecemos pessoas novas e, para lembrar de tudo, não podemos confiar apenas na memória", afirma. Além do currículo, Carin também aconselha seus clientes a encarar o networking de maneira mais profissional. "Os registros devem ter nome, endereço, contatos, data de aniversário, quanto tempo você não fala com aquela pessoa e até o último assunto conversado", diz.

    - Treine a mente - Em se tratando da memória, quanto mais uso, melhor. "Ela não é como os ossos, que ficam gastos com o tempo", diz o neurologista Getúlio Rabelo, do hospital Samaritano, de São Paulo. Por isso, alimente sua memória com bons livros, palavras cruzadas e atividades desafiadoras, como aprender uma nova língua ou tentar um jogo diferente.

    - Mexa o corpo - Além de diminuir o estresse, os exercícios físicos ativam a circulação sanguínea e oxigenam o cérebro.

    - Adote hábitos saudáveis - Está mais do que comprovado que qualquer privação na dieta e no sono afeta negativamente a memória. O sono, por exemplo, é essencial para o processo de fixação do aprendizado. E uma dieta não balanceada prejudica a saúde e, por tabela, a capacidade de se lembrar das coisas também.

    - Tome nota - Um ditado inglês diz que o pior lápis é mais eficiente do que a melhor memória. Então, dê um jeito de anotar aquelas ideias fantásticas que pipocam em sua cabeça durante a noite. O escritor escocês Roobert Louis Stevenson era adepto desse hábito. "As histórias às vezes me vêm na forma de pesadelos tão intensos que me fazem despertar. Então, começo a trabalhar", afirmou, em 1887. Um desses pesadelos fez Stevenson escrever um dos maiores clásssicos da literatura mundial: The Strange Case of Dr. Jekill and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro).

    - Jogue pingue-pongue com os olhos - Pesquisadores da Univerrsidade de Toledo, em Ohio, nos Esstados Unidos, descobriram um truque que vale a pena tentar você estiver lutando para lembrar de alguma coisa. A idéia é mova os olhos da direita querda durante 20 segundos. Esse movimento rítmico estimula as áreas do cérebro responsáveis por recuperar as lembranças.

    - Use técnicas mnemônicas - simplificando bastante, essas técnicas consistem em relacionar o que você quer memorizar com coisas conhecidas. Inconscientemente, era o que Napooleão Bonaparte fazia ao especular sobrea vida pessoal de seus soldados. Ele provavelmente fixava algum detalhe interessante e imediatamente o relacionava ao nome da pessoa. Asssim, além de se lembrar rapidamennte de como se chamava determinado soldado, era capaz de discorrer um pouco sobre a vida dele.

    - Desligue o piloto automático - Criar hábitos certamente ajuda você a não se esquecer das chaves, de pagar suas contas no fim do mês e de fazer suas tarefas diárias em seu trabalho. Por outro lado, não tem efeito algum nas conexões entre os neurônios. Quanto mais rápidas elas forem, mais veloz é o pensamento e melhor a memória. Para arejar as ideias, busque conhecimento dentro e, principalmente, fora de sua área de atuação. Por exemplo, se você trabalha em marketing e já leu todos os livros de Philip Kotler, o guru do assunto, por que não tenta a companhia de Fernando Pessoa ou Platão?.

  • Por que os elefantes não esquecem

    Afinal, de onde vem a expressão memória de elefante. A resposta é tão simples quanto óbvia. O maior mamífero terrestre tem uma memória compativel com seu tamanho. Sob treinamento, um elefante é capaz de reconhecer até 40 tipos de comando de voz, e isso mesmo depois de dois anos sem ouvi-los. Uma pesquisa feita pela bióloga Karen McComb, da Universidade de Sussex, na Inglaterra, mostrou que as fêmeas dominantes da manada criam uma memória social capaz de distinguir mais de 100 adultos, mesmo depois de muitos anos. Quanto mais velha é a matriarca do grupo, maior é sua capacidade de reconhecer "velhos amigos" e também de identifcar aqueles que podem ser uma ameça.

  • "Cansei de chamar João de José"

    No fim de 2001, o advogado baiano Manoel Ignácio Torres Monteiro, de 37 anos, estava em um evento organizado pelo escritório em que trabalha. Conversava com... com quem mesmo? Monteiro só se deu conta de que não se lembrava do nome de seu interlocutor quando alguém se aproximou. "Também não me lembrava do nome da outra pessoa", diz. Foi uma saia-justa daquelas, já que os clientes traziam muito dinheiro para a empresa. Eles perceberam que Monteiro estava brigando com sua memória e resolveram se apresentar para acabar com o mal-estar. Cansado de passar vergonha por causa de sua dificuldade para guardar nomes, Monteiro agora usa algumas técnicas simples para evitar apuros. Por exemplo: quando se reúne com pessoas que acabou de conhecer, coloca os cartões na mema ordem em que os donos dos cartões estão sentados. "Também não arrisco mais mencionar o nome das pessoas no início da conversa, porque sei que posso errar", cofessa.

  • Eles são do contra

    Além do estresse e da idade, que prejudicam a memória, estes fatores também afetam suas lembranças:

    - Mal de Alzheimar: doença degenerativa das células nervoas que leva à perda de diveras funções mentais.
    - Distúbrio de Déficit de Atenção (DDA); Déficit de Atenção (DA) e Distúrbio de Hiperatividade (DHA): dificultam a concentração e a fixação de informações.
    - Alcoolismo e uso de drogas: de maneira diferente, tanto um como outro prejudicam a capacidade do cérebro de acessar novos conteúdos.
    - Menopausa: há indícios de que os baixo níveis de estrógeno, típicos dessa fase, estejam relacionaods ao mau desempenho na retenção de informações verbais.
    - Depressão: afeta o bom funcionamento do sistema nervoso.
    - Calmantes: prejudicam a capacidade de concentração e dificultam a retenção de conteúdo.

  • Leitura Dinâmica e Memorização

    Próximas Turmas

    Grupos com 15 alunos

    19/06/2017 à 30/06/2017
    (10 noites - 2ª à 6ª das 19h às 22h)

    15/07/2017 à 13/08/2017
    (5 Sábados e 5 Domingos - 13h às 16h)

    17/07/2017 à 28/07/2017
    (10 manhãs - 2ª à 6ª das 9h às 12h)

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