12 maneiras de aumentar sua criatividade


CEOs consideram a criatividade como o principal atributo da liderança. Você sabe exercitar a sua?

Revista Você S/A - por Amanda Kamanchek

A criatividade é o atribu­to de liderança mais desejado por CEOs, se­gundo pesquisa reali­zada pela IBM, que ouviu mais de 1 800 CEOs de 60 países. Apesar de valorizada, a competência é difícil de ser encontrada. De acordo com a america­na Creative Education Foundation, crianças de até 3 anos costumam usar 98% de sua capacidade criati­va, enquanto adultos acima de 30 anos costumam explorar apenas 2%. Essa diminuição expressiva está relacionada às experiências sociais da pessoa ao longo da vida - e o trabalho tem peso grande nessa queda. "As pessoas se tolhem com medo do bloqueio emocional, medo de se expor e de ser ridicularizada", diz Solange Mata Machado, coordenadora do curso de pós-MBA de inovação da HSM Educação, de São Paulo. A questão, para qualquer profissional, é como cultivar uma competência tão importante sem se deixar abater pela mesmice corpo­rativa. Para ser criativo, é necessá­rio permitir que a mente navegue livremente, sem receio de que isso possa contrariar aquele conheci­mento formal que temos e de pare­cermos errados. "Muitas vezes a mente concebe coisas estranhas, esquisitas", diz Sérgio Navega, di­retor da Intelliwise Research, em­ presa paulista de pesquisa teórica de inteligência artificial. "Entretan­to, fomos treinados a executar ape­nas aquilo que é formal, rigoroso, sólido." Executivos têm muito medo de ser incompreendidos e de errar. Isso tem a ver com a baixa tolerân­cia que as empresas têm ao fracas­so. Durante os processos de traba­lho, é importante prestar atenção nas frases que matam a criatividade.

Exemplos desse tipo de comporta­mento aparecem em perguntas como "Essa ideia trará resultados financeiros garantidos?" ou em afir­mações como "Não estou aqui para inventar, estou apenas tentando fazer o meu trabalho". Frases assim são sintomas do medo de arriscar e fazer diferente. Repetido diariamen­te, o receio acaba minando o pro­cesso criativo. Afinal, é a cada "tes­te" malsucedido que o cérebro faz novas associações e aumenta a ca­pacidade de ter ideias e inovar. Uma grande ideia depende de incessantes tentativas de compor associações incomuns, de pensar coisas que nin­guém jamais foi capaz de executar.

• Atencão aos sinais de repressão

Se o processo de experimentar (e errar) é inibido, a criatividade se enfraquece. Por isso, é importante perceber, durante o trabalho, o momento em que alguém reprime a capacidade de pensar diferente. Quem escolhe trabalhar no mundo corporativo pode achar que não é exatamente uma pessoa criativa, ou que não deveria ser. Fugir da mesmice é; no entanto, algo neces­sário para o profissional se diferen­ciar, mesmo quando ele exerce uma função aparentemente burocrática. E engana-se quem pensa que é pre­ciso inventar coisas absolutamente novas. Às vezes, melhorar um pe­queno processo de trabalho, com o uso de um aplicativo tecnológico gratuito, já é uma forma de inovar e explorar a criatividade. Também é possível aprender um pouco mais sobre o assunto com profissionais que atuam em áreas nas quais cria­tividade é a matéria-prima. Acu­mular repertório variado, por exemplo, aumenta a possibilidade de fazer associações, criar relações e combinar informações. "Eu bus­co inspiração na música, no design e na arquitetura, e associo tudo o que é possível à moda", diz Grazie­la Peres, fundadora da revista ffw»mag!, aliada da marca São Paulo Fashion Week. "Ter curiosi­dade e explorar áreas diferentes das quais costuma atuar são fatores essenciais para um profissional desenvolver o trabalho." Urna das principais autoridades em criativi­dade do mundo, a americana Tere­sa Arnabile, professora da Harvard Business School, aponta que exis­tem alguns ingredientes fundamen­tais para o fortalecimento da cria­tividade. Analisando a atmosfera existente nos anos 1970 no Palo Alto Research Center, o laboratório de inovações da Xerox, no Estados Unidos, de onde saíram algumas das maiores invenções da informá­tica, como o mouse e a interface gráfica, Teresa identificou duas ca­racterísticas entre os cientistas do local. Em primeiro lugar, além de ter um conhecimento profundo em alguma área, os inventores também eram capazes de falar com proprie­dade de coisas muito diferentes de seu campo de atuação. A outra ca­racterística, segundo a professora, era a voracidade por aprender coi­sas novas. Apesar de ser um grupo de cientistas já bastante gabarita­dos, os funcionários da Xerox con­sumiam muita informação nova. "Eles não desenvolveram esse há­bito mental seguindo um procedi­mento padrão", escreve Teresa.

Uma qualidade importante dos grandes inventores é estar permanentemente apaixonados pelo que fazem. "As pessoas são mais criati­vas quando fazem algo que amam", afirma Teresa. Essa é outra dica importante para quem deseja exer­citar um pouco mais o lado inven­tivo: procurar a motivação dentro do próprio trabalho. Trata-se de um bom caminho para começar a ex­plorar a criatividade. 

• Exercite o poder de inventar

Artistas e especialistas dão conselhos para au­mentar a criatividade.

1. QUEBRE REGRAS

É importante quebrar algu­mas regras e tentar fazer coisas nue nunca foram tentadas. Ao ter uma ideia, pesquise e veja se alguém já fez aquilo da maneira como pensou.

2. NÃO TENHA MEDO DE ERRAR

Assuma riscos, não tente ser perfeito o tempo todo. Criatividade serve para explorar o desconhecido e, para isso, precisamos ter em mente que frequentemente vamos errar. E um dos pon­tos básicos para ampliar nosso potencial criativo é reconsiderar nosso medo de errar, talvez transformando a palavra em "testar". "Não existe resposta certa ou errada. O que existe são pos­sibilidades diferentes", diz Solange Machado.

3. TENHA UM CADERNO AMIGO

Leve um caderno com você a todos os lugares. Caso tenha uma ideia, anote-a e tente desenvolvê-la.

4. FUJA DO COMPUTADOR

Tente passar algum momento longe do computa­dor (esqueça também o celular). Envolva-se com atividades como ler um livro, ouvir música, desenhar ou passear por um lugar onde nunca tenha ido. "Para ser criativo, é essencial deixar a mente fluir sem ser distraído por estímulos externos irrelevantes", diz Sérgio Navega. E, principalmente, durante o dia no trabalho, busque momentos de isolamento e de tranquilida­de para deixar a mente vagar e explorar regiões incomuns, esqueça por um tempo do Facebook, do Twitter e dos chats, em geral.

5. EXPERIMENTE O DIFERENTE

É importante viver experiên­cias diferentes, como viajar para lugares desconhecidos, comer algo exótico, ler um livro que não tenha nada a ver com seu trabalho, conhecer pessoas com vida diferente da sua.

6. DESCANSE

Relaxe. Férias são fun­damentais para que você repense o significado de sua vida e de sonhos pessoais.

7. REBELE-SE

Ouça seu lado rebelde. Internamente, de forma sub­jetiva, não pública, podemos questionar tudo o que está sendo feito e proposto em nossa vida pessoal e pro­fissional, não apenas por nós mesmos, mas por todos à nossa volta, diz Sérgio Navega. "Ninguém precisa saber que estamos fazendo isso. O objetivo é buscar maneiras diferentes de pensar, associar ideias e agir."

8. INSITA

"Esgote todas as possibilidades de um mesmo assunto. Não pare na primeira ideia", diz Graziela Peres.

9. BUSQUE VÁRIAS ALTERNATIVAS

Não existe resposta certa ou errada. O que existe são possibilidades diferentes. É necessário gerar muitas possibilidades antes de achar algo que realmente faça sentido. "Nosso cérebro odeia ambiguidade, por isso pula muito rápido para as soluções. Então, busque umas 30 alternativas antes de começar a pensar numa escolha", ensina Solange.

10. AGIR É IMPORANTE

"Aja, pratique a ação. Uma ideia já é um projeto de ação. Experimente em pequena e grande escala. Mesmo na fase de palnejamento, transforme-o em uma ação". diz Marcus Faustini.

11. MISTURE

"Tenha coragem para experimentar novas combinações, coisas que não pareciam combinar a princípio", diz Marcus Faustini.

12. FAÇA PAUSA

"Conheça seu ritmo. Reserve um horário para pensar livremente, enquanto você anda ou caminha, por exemplo", diz Auro del Giglio, autor de Brainconomics (Ed. Ateneu).