Coach indicando a direção



"Aproxima-se o dia em que a palavra "coaching" desaparecerá de uma vez do léxico, e essa prática passa a ser apenas uma maneira de se elacionar com os outros no trabalho. e em qualquer outro lugar" - John Whitmore.

Revista Escola Particular - por Gisele Carmona


O termo coaching surgiu na Inglaterra por volta do ano 1500, como forma de representar os condutores de carruagens. Os chamados cocheiros, ou aqueles que conduzem o coche (carruagem), eram profissionais que direcionavam seus passageiros aos destinos almejados.

Em 1850, o mesmo termo foi atribuído a professores e mestres de universidades, mantendo o significado, ou seja, um profissional que conduzia o outro ao destino pretendido.

Já em 1950, o termo Coach foi usado pela primeira vez como uma habilidade de gerenciamento de pessoas, introduzindo as primeiras técnicas de desenvolvimento pessoal e humano. Dez anos depois, Nova lorque introduziu as habilidades de Coaching de Vida, ou Life Coaching. Esse programa, posteriormente, foi aperfeiçoado no Canadá.

Com essa evolução, o processo começou a ganhar força dentro dos meios empresariais, surgindo como uma poderosa ferramenta profissional.

No Brasil, o Coaching surgiu na década de 1970, através de associações com o meio esportivo, sendo depois encaminhado para o mundo dos negócios. O coach (motivador) apoia o cliente em sua busca na realização de um objetivo, traçando metas que, somadas, levam o coachee (motivado) ao encontro do que quer.

E dentro da educação? Esse método funciona? De que forma?

Conversamos com Janete Zalcsztajn, pós-graduada em Gestão Educacional nas Instituições de Ensino e Neuroeducação e certificada internacionalmente como Master Coaching, Mentoring&Holomentoring ISOR@ ICF (lnternational Coach Federation), para saber mais sobre esse processo.

Qualidade de vida e direcionamento

Janete comenta que a metáfora com a carruagem e a ligação com os esportes, principalmente com o tênis, resumem a proposta metodológica do coaching: estimular o cliente a tornar-se um agente ativo responsável pela construção de seu futuro.

Para ela, o coração de todo o processo é um trabalho conhecido como Inner Game (jogo interior), elaborado por um tenista chamado Timothy Gallwey. "Podemos definir o jogo da seguinte forma:
o oponente real do esportista não é seu competidor, mas suas limitações e fraquezas. O jogo interior é praticado para superar hábitos mentais que inibem o melhor desempenho".

Atualmente há uma proliferação de ofertas do serviço, mas poucos são de fato qualificados para esse atendimento. "Muitas pessoas ministram treinamentos comportamentais associando a palavra coaching a seus produtos, sem nenhum tipo de preparação ou conhecimento sobre o uso adequado da metodologia".

Segundo a especialista, a formação de um profissional precisa ser muito bem realizada e é necessário ter muito cuidado na escolha da instituição que oferece o curso de coaching. A maioria delas ensina apenas técnicas, ferramentas e roteiros de como fazer, mas não se atentam ao fato de que é necessário muito mais do que isso para se ter qualificação de verdade. "O profissional precisa ser acreditado e ter ascendência sobre o seu cliente. Ele precisa ter talento, habilidades, ser um mestre na arte de conduzir conversas com propósito, sem influenciar no que é dito por aqueles que buscam a sua ajuda. Os coachs são conhecedores de pessoas, não fazem perguntas para seguir roteiros".

Ela comenta que o processo também pode ser aplicado aos que buscam competências emocionais que permitam se relacionar melhor com o cônjuge, com os filhos adolescentes e com os amigos, superando assim barreiras como a timidez ou a insegurança, e também melhorando questões trabalhistas para que tragam mais equilíbrio e qualidade em sua vida pessoal.

"A proposta básica desse sistema é a seguinte: conseguir uma melhora significativa na performance individual, e das equipes, através da construção de uma nova cultura de relações interpessoais (baseada na responsabilidade, cooperação e proatividade) e da adoção de um novo paradigma pessoal, focado na automotivação e na solução de problemas", afirma.

A base do sistema coaching é que as respostas procuradas estão sempre dentro do coachee (o cliente). Ou seja, todo o esforço consiste em estimular a autonomia dele, em torná-Io capaz de identificar os obstáculos (internos e externos) e conquistar seus objetivos e os recursos de que pode dispor para ter sucesso. A partir daí ele é motivado a colocar em prática um detalhado plano de ações que vai conduzi-Io em direção ao seu objetivo.

Para Janete, o diferencial de um coach é o de saber ouvir com toda atenção, sem julgamentos, observar os gestos, o tom de voz, ser conhecedor profundo de pessoas, com espírito de solidariedade, capacidade de percepção, humildade, competência e talento. "O Coach trabalha para liberar o potencial dos demais e incrementar ao máximo seu desempenho", comenta. "Ele trabalha com perguntas poderosas que servem para que o cliente escute suas próprias respostas, aumentando sua percepção sobre seu autoconhecimento. O saber ouvir demanda muita prática e experiência. Nosso cliente tem de se sentir acolhido e respeitado", conclui.

Explicando o funcionamento do processo, ela descreve que normalmente são encontros semanais, com duração média de 60 minutos cada, num total de 12 encontros presenciais. Mas, é claro, que isso pode depender do caso de cada cliente.

O coach canaliza suas energias para a solução do problema, estuda alternativas e opções, planeja um conjunto de ações a serem executadas e faz o cliente colocar a mão na massa. A despeito da simplicidade, isso implica uma mudança radical de paradigma. "Nós estamos culturalmente focados nos processos de sofrer e nos culpar; nessa nova cultura o que importa é solucionar e resolver".

Segundo ela, o processo não é uma sessão de terapia, é um tipo especial de colaboração que expande a consciência e aprendizagem e permite resultados positivos com menos esforços e em menos tempo. Durante o encontro o cliente irá se deparar com perguntas, como:

. "O que você quer?" (Janete explica que, apesar de ser uma pergunta simples, é muito comum que o cliente tenha metas muito genéricas, do tipo "quero ser feliz" ou "quero resolver meus problemas", e que encontre grande dificuldade quando tenta detalhar seus objetivos).

. "O que você quer que aconteça que não está acontecendo agora?" (aqui vai entrar em contato com crenças limitantes que aumentam a real dimensão de seus problemas ou escondem sua real capacidade de resolvê-Ios, e que precisarão ser trabalhadas a partir de ferramentas específicas).

. O que você pode fazer? (um levantamento do caminho a ser percorrido).

. O que você vai fazer? (é estabelecer o plano de ações, passo a passo, detalhadamente).

Em cada uma dessas etapas podem se utilizadas diversas ferramentas específicas. Ao longo dos encontros o cliente vai experimentar um intenso processo de autoconhecimento e revisão de valores. Então, é muito comum que a meta inicial seja substituída por outro objetivo mais relevante ou imediato.

Janete define que, enquanto o psicólogo trabalha o passado, de forma devagar, limpando o desfocado (negativo), o coach determina um número de encontros, faz com que as conversas fluam com mais liberdade, saindo do quadrado para solucionar o problema bem mais rápido. "Estamos interessados no bem estar do outro para que seja mais feliz, levando à plenitude interna. Nunca formatamos as pessoas, ativamos a sabedoria escondida dentro delas".

O coaching educacional

O sucesso do método no meio esportivo fez com que fosse adaptado e utilizado em outras áreas, sobretudo no meio corporativo. É claro que esse processo acabaria chegando aos setores da educação.

A ideia de transferi-Io para os departamentos educacionais ocorreu no momento em que os executivos, frequentadores dos cursos, começaram a reclamar insistentemente do nicho de profissionais que estavam recebendo do mercado. "Tive um insight. Que tipo de cidadão estava se formando nas escolas para esse novo mercado de trabalho? Percebi que o problema não está só nas faculdades, precisamos trabalhar as crianças desde seu primeiro contato com o mundo educacional", comenta.

Para ela, a globalização tem influenciado a educação recebida pelos pais e pelas escolas. Valores como, ética, moral, religião, solidez do casamento e da família, têm perdido espaço para novas formas de comportamentos regidas pelas leis do mercado e de consumo. "Neste contexto, evidenciei uma trajetória como educadora de Química, Física e Matemática no Ensino Médio, em instituições privadas e públicas. Estive bem próxima das famílias e pude diagnosticar certas resistências em relação ao reconhecimento perante a nova realidade e da tomada de uma nova postura com seus filhos. Por vezes, até senti ausência da mesma na dificuldade de compreender essa nova mudança ocorrida na sociedade".

Janete comenta que a família é de suma importância na formação da criança, tanto no aspecto cognitivo, como no afetivo e social, e por sentir. dificuldades nas relações estabelecidas, certas inquietações começaram a surgir a partir daí. Em busca de alternativas para melhor compreender e para clarificar os papéis da escola e da família, ela começou a estudar o coaching, principalmente voltado à educação.

"A família é a base para a formação de valores, crenças, educação, comportamentos e aspectos emocionais. O relacionamento do indivíduo com o mundo, seus sentimentos e os comportamentos são reflexos de como foram seus primeiros contatos com ele. Ambas, tanto família quanto escola, desempenham papel importante na formação do indivíduo e do futuro cidadão. A escola, entretanto, tem uma especificidade, a obrigação de ensinar bem os conteúdos específicos de áreas do saber, escolhidos como sendo fundamentais para instrução de novas gerações".

A integração dessas só acontecerá com um movimento de respeito, valores, crenças, ética, afetividade e confiança somados. Ela acredita que dessa forma poderá haver clareza de objetivos e a superação de desafios que muitas vezes tornam-se obstáculos no caminho tanto da família, quanto da escola.

"Seria interessante que dentro das escolas houvesse um projeto de coaching educacional. Poderia haver um coach que faça o acompanhamento com cada aluno, ou em grupos, desde o início até sua formação. Em algumas escolas particulares e estaduais já se faz presente essa consciência de que o desempenho individual deve ser estimulado e acompanhado".

Sendo assim, ela sugere que os mantenedores reflitam com urgência a possibilidade de criar-se nas escolas um ambiente que dê conta dessas transformações sociais, pois é nessa sociedade que as crianças irão interagir no futuro.

"Acreditamos que um gestor com um olhar inovador, capaz de efetivas mudanças de paradigmas, tem a responsabilidade de aproximação de seus professores com os pais dos alunos. Portanto, se o gestor utilizar o coaching como ferramenta para unificar esta parceria, estará facilitando o processo de ensino aprendizagem de seus alunos e, consequentemente, a família se sentirá mais segura e motivada dentro da escola, participando em conjunto para o desenvolvimento pleno da criança em questão".

Segundo ela, tudo é bem simples e prático, basta estarmos abertos a inovações. Sem elas estaríamos aprisionados e estagnados aos mesmos paradigmas para sempre. Devemos nos lembrar de que o mundo está em constante evolução e desenvolvimento, e, para tanto, devemos aprender a usufruir desta grande e inovadora ferramenta de sucesso com excelência.

É importante lembrar que jamais o trabalho do coach irá interferir no direcionamento pedagógico ou administrativo da escola. O objetivo é gerar benefícios para o outro, trabalhando processos sutis.

Questionada sobre a diferença entre consultoria e o coaching, ela esclarece que o consultor dá as respostas, enquanto o coach faz as perguntas. A contratação do consultor visa resolver os problemas sob seu prisma. Ele dá as receitas prontas de como fazer. A consultoria está baseada em couseling (aconselhar), enquanto o coaching é o inverso.

"Vou além do processo de coaching, ativo a sabedoria dentro das pessoas. Inspiro os meus clientes a uma vida plena, com mais felicidade interior, mais amplitude, com uma nova visão de mundo e mentalidade de mudanças. Levo as pessoas a terem mais coerências com a vida, compreender as leis da vida (Leis Universais) e ativar a capacidade de viver aqui e agora. Nas leis da vida tudo é movimento, temos de saber lidar com os ciclos, saber quando eles começam e terminam. Eu mostro a integração com o todo, o todo está em mim e estou no todo. Eu e o todo somos um, nada existe separadamente".

Para ela, tudo o que fazemos não envolve apenas a nós, mas a tudo e todos, ou seja, temos uma grande responsabilidade com o que nos cerca. Por isso, ela faz trabalhos individualizados para crianças desde os sete anos até sua fase adulta, pais, casais, gestores, educadores e profissionais da educação em geral.
Seu trabalho baseia-se nos quatro pilares do conhecimento de Jacques Delors:
. Aprender a conhecer. 
. Aprender a fazer  (a fase adulta) . 
. Aprender a conviver.
. Apender a ser


É importante esclarecer que o foco é a autonomia, a noção de responsabilidade própria e a cultura de "aprender a aprender". As ferramentas de trabalho podem variar, mas sempre vão girar em torno destes valores.

"O Coaching não é simplesmente uma técnica a ser conduzida e rigidamente aplicada em algumas circunstâncias prescritas. É um jeito de gerenciar, um jeito de tratar as pessoas, um jeito de pensar, um jeito de ser", finaliza. .

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