Marque pontos na entrevista



Ansiedade e nervosismo marcam as vésperas de um processo seletivo no disputado mercado de trabalho. Afinal, a entrevista pode ser o último obstáculo antes de alcançar um salário maior, dar um salto na carreira, ou, por que não, concretizar um sonho?

Revista Veja - por Daniela Macedo

"O profissional tem entre uma hora e uma hora e meia, que é o tempo médio de uma entrevista de emprego, para convencer o selecionador de que é o candidato mais capacitado para o cargo", diz Mariana Schwarz, gerente de marketing da consultoria Hays. Além das qualificações profissionais, características comportamentais estão na mira dos recrutadores. O perfil varia de acordo com a vaga pleiteada, claro, mas algumas habilidades são buscadas em todos os concorrentes. "O entrevistador espera um candidato participativo, que tome a iniciativa de explicar o motivo de uma demissão, por exemplo, antes de ser questionado", diz Renata Wright, gerente executiva de recursos humanos da Michael Page. VEJA conversou com especialistas de empresas de recrutamento e seleção para ajudar o leitor a impressionar bem em sua próxima entrevista de emprego:

Banque o detetive

Mais do que contratar um bom profissional, toda companhia quer encontrar um bom profissional interessado em trabalhar naquela organização específica. Para atender a esse requisito, o candidato precisa conhecer a empresa na qual pretende trabalhar. Os especialistas são unânimes:  dados financeiros, histórico da empresa, posição no mercado e número de funcionários são informações que se devem ter na ponta da língua na véspera de uma entrevista. 0 concorrente deve fazer uma pesquisa prévia, captando informações no site da empresa, na imprensa e nas redes sociais", diz Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half. "Quem pleiteia uma vaga em uma montadora, por exemplo, deve se informar sobre faturamento, vendas, concorrência, onde estão localizadas as fábricas, quais modelos são importados e quais são fabricados aqui. Quanto mais informações, melhor." Além de se sair bem ao ser questionado sobre a companhia, o aspirante que cuidou da sua lição de casa evita fazer perguntas ingênuas, que revelam falta de interesse e de preparo. "E isso vale para qualquer cargo, de qualquer nível e em qualquer área", completa Adriana Thomazinho, gerente de recrutamento e seleção do ManpowerGroup Brasil.

Demonstre interesse

No momento oportuno - em geral, depois que o entrevistador avalia as qualificações do candidato e apresenta as características da vaga - e com o tom certo, sem ansiedade nem arrogância, o concorrente pode tirar dúvidas sobre o cargo. Essa é a hora de mostrar interesse no posto e na companhia. Portanto, deixe para outra hora as questões sobre salário, benefícios e descontos para funcionários na compra de produtos da empresa. Segundo os especialistas, perguntas sobre o histórico da vaga e as expectativas da companhia podem contar pontos a favor:
- Qual é a expectativa da empresa com relação ao profissional que vai ocupar este cargo nos próximos doze meses?
- Quais são as habilidades mais valorizadas pela companhia?
- O cargo pleiteado é uma posição nova? Se não, por que o profissional atual está sendo substituído?
- Qual é o perfil da equipe que o profissional contratado vai gerenciar?

Fuja dos clichês

"Perfeccionismo é meu maior defeito", "Estou em busca de novos desafios" e outras frases feitas do gênero desanimam o entrevistador no ato (aliás, policie-se também para evitar gírias e coloquialismos: "tipo assim" já soa mal na conversa com amigos e é inadmissível em uma situação formal).
Perguntas sobre pontos fracos e demissões ainda são tabu no mercado corporativo, mas a transparência pode beneficiar o concorrente. "Não é o momento ideal para emitir opiniões sobre temas polêmicos, como política, religião e futebol" mas as respostas vazias tambem podem prejudicar o
candidato', diz Fernando Mantovani, da Robert Half. Em vez de citar perfeccionismo, que tal mostrar que tem senso crítico e mencionar uma característica profissional que você, de fato, acredita que pode aprimorar?

Mantenha os nervos sob controle

O nervosismo é esperado em situações de stress, mas não pode afetar a imagem que o profissional transmite no processo seletivo. O candidato que se limita a respostas monossilábicas demonstra excesso de timidez ou revela dificuldade para trabalhar sob pressão. A reação oposta, ou seja, falar sem parar, também é comum entre os candidatos excessivamente nervosos. Seja conciso e claro nas respostas; procure não se estender sobre um único assunto e, com isso, perder a oportunidade de mostrar outras qualidades e conquistas. No fim da entrevista, evite perguntar sobre seu desempenho e suas chances no processo seletivo. "Controle. a ansiedade; agradeça a oportunidade e diga que aguarda um retorno., diz Adriana Thomazinho, do ManpowerGroup Brasil.

Quantos bueiros existem na cidade de São Paulo?

Para as perguntas inusitadas, não existe resposta exata. "O objetivo é testar o raciocínio lógico do candidato. Portanto, o chute simples, que não é baseado em nenhuma informação, é a pior resposta possível", diz Renata Wright, da Michael Page. Ou seja, mesmo que o palpite esteja correto, o candidato terá de explicar como chegou àquela resposta. Na pergunta que dá título ao tópico, por exemplo, saber qual é a população da cidade (11,5. milhões) pode ajudar o candidato a formar um raciocínio (um bueiro para cada 100 habitantes, por exemplo).

Cuidado para não se queimar

Os responsáveis pelos processos seletivos são treinados para avaliar diversos aspectos do desempenho de um candidato - e um deslize, mesmo que aparentemente inocente, pode pôr tudo a perder. Veja, a seguir, o que dizem os especialistas a respeito de atitudes recorrentes (e malvistas) nas salas de entrevistas:

Má postura

Assim como a apresentação visual do candidato, a postura ao longo da entrevista também é avaliada. "O sujeito que fica todo torto na cadeira, apoiando a cabeça nos braços, é o retrato do desânimo", diz Mariana Schwarz, gerente de marketing da Hays.

Celular ligado

A não ser que o candidato esteja aguardando uma ligação muito importante (se esse for o caso, ele pode e deve avisar o examinador ao chegar), nada justifica ouvir um celular tocando durante uma entrevista de emprego ou uma trilha sonora com aquelas irritantes notificações de conversas virtuais.

Eu fiz, eu consegui

Para a maioria das empresas, candidatos que usam a primeira pessoa para falar de realizações profissionais transmitem a imagem de gestores que não dividem o crédito de suas conquistas com a equipe.

Estabilidade no emprego

Comum nas salas de entrevistas, a frase "busco estabilidade no emprego" pode ser interpretada como falta de interesse: o examinador entende que o profissional quer se acomodar por ali e estacionar na carreira, o que não é bom para a empresa.

Críticas aos ex-chefes

O profissional que fala mal dos antigos patrões, ainda que de maneira polida, perde pontos - o raciocínio do avaliador é que, no futuro, ele poderá falar o mesmo de sua empresa em uma futura entrevista em outra companhia.

Leitura técnica

Na tentativa de causarem boa impressão, muitos candidatos chegam à entrevista com um livro técnico debaixo do braço, como se essa fosse a sua leitura habitual. A tática é ingênua e não engana ninguém.

Currículo nota 10

 A mentira é, sem dúvida, a falha mais grave que um profissional pode cometer ao elaborar o currículo. Não vale aumentar o período de trabalho em determinada companhia, mudar o título do cargo anterior nem superestimar o nível do segundo idioma. São informações fáceis de ser conferidas: estão no diploma e na carteira de trabalho. E a velha desculpa do 'meu inglês está enferrujado' não engana nenhum selecionador", diz Femando Mantovani, da Robert Half. Lapsos menos graves, porém frequentes, também podem manchar a imagem do profissional:

Falta de objetividade

Textos extensos e repetitivos afastam os selecionadores. Use sentenças curtas - no máximo, cinco frases para falar de suas qualificações profissionais -, dando uma visão geral da experiência na abertura do currículo. Citações de autores renomados, cada vez mais comuns, também poluem e não acrescentam informação.

Excesso de informação

Hobbies que nada têm a ver com a profissão servem apenas para estender um documento que deve ter, no máximo, duas páginas. "Trabalho voluntário pode sim, chamar a atenção de algumas companhias, mas o curso de gastronomia no currículo do engenheiro é irrelevante", diz Mantovani. Também é dispensável mencionar o emprego de barman ou gàrçonete nos seis meses de intercâmbio na juventude. Na descrição de cada trabalho, seja conciso; se houver interesse, o examinador pedirá detalhes durante a entrevista.

Erros de português

Não é preciso explicar por que erros de gramática e ortografia prejudicam o candidato. Mas vale lembrar, salientam os especialistas, que eles ainda são muito comuns em currículos de todas as áreas e níveis profissionais. Revise o documento uma, duas, três ou dez vezes se for preciso.

 

Oratória

Próximas Turmas

Grupos com 15 alunos

06/05/2017 à 04/06/2017
(5 Sábados e 5 Domingos - 9h às 12h)

10/05/2017 à 12/06/2017
(10 noites - 2ª e 4ª das 19h às 22h)

15/05/2017 à 19/05/2017
(Reuters - 8h as 12h e 13h30 as 17h30)

22/05/2017 à 26/05/2017
(Reuters - 8h as 12h e 13h30 as 17h30)

Preencha aqui seus dados