E, de novo, o velho conflito de gerações



As empresas não sabem o que fazer para que respeitem a hierarquia e preocupem-se quando erram.

Revista Escola Particular - por Júlio Furtado

As empresas vêm enfrentando problemas específicos e reincidentes com seus funcionários, ou melhor, com seus colaboradores entre 18 e 30 anos. Além de não saberem mais o que fazer para que cheguem na hora, igualmente não sabem o que fazer para que respeitem a hierarquia, preocupem-se quando erram, entendam que é preciso fazer as mesmas coisas durante um tempo e, o mais terrível para as empresas: não peçam demissão de três em três meses! Estamos diante de alguns dos principais comportamentos da chamada Geração Y que estão deixando seus gerentes, que geralmente são da geração X, de cabelos brancos antes da hora. É claro que há muitas características positivas na geração Y que precisam ser apresentadas, sob pena de parecermos parciais. Eles são altamente inovadores, encaram (e até pedem) desafios, são rápidos, quando compram a ideia, são obsessivos com resultados. A questão é que para que essas características se destaquem, os jovens dessa geração precisam ser "atendidos" em seu estilo peculiar de ser. As empresas que conseguem compreender e superar essa questão estão usufruindo do enorme potencial produtivo e inovador dessa geração. As que não conseguem, estão optando por colocar nas exigências do cargo, idade superior a 30 anos.

É importante dizer que o conflito de gerações sempre existiu ao longo da história, porém nunca teve como característica, diferenças tão gritantes de valores, atitudes e crenças. Hoje, já temos, interagindo nas empresas, 3 gerações: os baby boomers, nascidos após a Segunda Guerra Mundial, no final da década de 40 e na década de 50, a Geração X, nascida nas décadas de 60 e 70 e a recém chegada Geração Y, nascida nas décadas de 80 e 90. Podemos dizer que com o aumento da expectativa de vida, em breve, teremos convivendo no Mercado de Trabalho, 4 gerações, com a maioridade da Geração Z, que hoje está na faixa de 5 a 15 anos de idade. Sem tom de premonição, perguntamos: será que vem por aí uma guerra? Parece-nos óbvio que esse assunto diga respeito à Educação, à Escola e aos educadores. Vamos às descrições necessárias.

A expressão Baby boomers vem do advento da explosão de nascimentos que ocorreu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, com a volta dos soldados para casa. Essa geração que está hoje, em média, acima dos 50, promoveu grandes transformações, a começar pelo debate do papel da mulher, e a quebra de barreiras políticas. Eles foram a juventude que saiu de casa para morar sozinha, pregando a paz, o amor e o sexo livre. Essa geração foi muito contestadora e isso catalisou uma série de mudanças, muitas das quais se vive até hoje. Embora libertários, os baby boomers valorizam a família e as relações afetivas. Defendem a paz acima de tudo e não lidam bem com conflitos.

Consideramos como membros da geração X, aqueles nascidos entre a segunda metade da década de 60 e o início da década de 80. Estão hoje com idades entre 30 e 45 anos e são uma geração que viveu as últimas grandes transformações da sociedade, dentre elas, o fim do Socialismo e o fim da Ditadura Militar. Assistiram ao surgimento da AIDS, viveram as Diretas Já, a hiperinflação e a mudança de moedas, além da ascensão da tecnologia. Em razão dessa trajetória, a geração X é uma geração caracterizada pela busca da segurança, principalmente através do trabalho, onde valorizam ganhar mais e sentir-se seguros. A Geração X busca ser promovida no trabalho através do esforço e da formação. São fiéis às empresas que lhe oferecem oportunidades e sabem lidar com a hierarquia (em nome disso, aprenderam a "engolir sapos"). Acredita-se que 60 a 70 por cento dos professores brasileiros que atuam em sala de aula façam parte da geração X e, como tais, carregam os valores inerentes a essa trajetória.

A chamada geração Y está hoje, aproximadamente, na faixa entre 16 e 29 anos. Essa geração nasceu e cresceu na Democracia, junto com a internet. É voltada para si mesma e para o prazer. É a geração videogame e por isso desenvolveu atitudes como: estar no comando, poder ser quem quiser, trabalhar com metas e objetivos, buscar soluções, ser adepta da tentativa e erro, encarar o erro como parte do jogo (acham que sempre podem tentar outra vez), necessitar de feedback constante e rápido, acreditar mais nos pares do que nos mais velhos, analisar rapidamente as situações e imediatamente tirar conclusões. A maioria dos alunos do Ensino Médio são membros representativos dessa geração.
Gosto, particularmente, da analogia entre o comportamento da Geração Y e o contexto dos videogames. Sua concepção de erro, por exemplo, é claramente influenciada pela concepção de erro nos videojogos.
Errar não é o fim, é uma oportunidade para aprender uma nova jogada, sem contar que quase sempre temos uma "vida" guardada que nos permite jogar de novo. Por um lado isso é bom porque retirou deles o peso que tem o ato de errar para nós (geração X e baby boomers).

A geração Z encontra-se na faixa entre 5 e 15 anos e se caracteriza por alguns comportamentos da geração Y levados ao exagero, como por exemplo o uso da tecnologia. As características específicas dessa geração são "zapear" através do controle remoto (vem daí o "Z"). Fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Já nasceram num mundo tecnológico, por isso, são menos deslumbrados que os da Geração Y com chips e joysticks. Pensam tecnologicamente desde o berço. Esses são os alunos do Ensino Fundamental.

Alguns caminhos podem ser seguidos para que cumpramos nossa função educadora e minimizemos os impactos negativos de atitudes que podem originar conflitos relacionais. Para isso, precisamos ver o mundo através dos olhos dessas novas gerações. As gerações Y e Z possuem crenças e atitudes que precisam ser trabalhadas. A primeira delas é serem conectados. Nós professores precisamos vencer as resistências e nos conectar de vez. Os YZ gostam de desafios e quebram paradigmas com facilidade. É preciso que, ao entender isso, intensifiquemos o uso de técnicas de ensino que potencializem a inovação e a criatividade. A necessidade de receberem feedbacks rápidos é outra marca registrada dessas gerações. Isso nos leva a rever nosso processo de avaliação, no sentido de tornar os resultados os mais imediatos possíveis. Programas que viabilizam avaliação via computador se adequam bastante a essa necessidade. Desenvolver rotineiramente técnicas de concentração e foco vai ajudá-Ios a não perder o foco com tanta facilidade e, por fim, atividades que exijam grande poder de análise e decisão prestam-se a "amansar" o elevado padrão de impulsividade que os caracterizam.

A essência do processo educacional é a transformação do outro no melhor ser humano possível. Ajuda-nos a avaliar se estamos sendo bem sucedidos na tarefa, uma rápida análise das atitudes gerais de nossas crianças, adolescentes e jovens com relação ao mundo, às pessoas e aos desafios que se apresentam ao longo do caminho. Precisamos superar de vez o milenar conflito de gerações. .

 

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