Cinco alunos do primeiro grande curso on-line da América Latina passaram entre 15.000 inscritos.



Será que esse tipo de educação funciona?

Revista Galileu - por Luciana Galastri


William Palmieri, Guilherme Amaral, Gabriel Aguado, Bruno Araújo dos Santos e Artur André não são gênios. Mas foram os únicos, dentre 15 mil estudantes, a passar na prova final e receber o certificado de uma disciplina da USP em fevereiro. Não era seleção para astronauta, e sim aulas de física básica no primeiro curso aberto e massivo on-line (Mooc, na sigla em inglês) conduzido por uma universidade da América Latina. A taxa de aprovação baixíssima da iniciativa brasileira, no entanto, está longe de ser ponto fora da curva. Uma série de levantamentos recentes apontam que apenas 5% dos alunos conseguem certificado nessa modalidade de ensino, o que levanta uma questão importante. Será que esse tipo de curso, tão alardeado como jeito revolucionário de democratizar a educação, funciona?


No caso da iniciativa brasileira, houve problemas específicos. A prova final tinha de ser feita em uma única data e na capital paulista, o que afastou os estudantes: apenas dez deles apareceram para a avaliação. Só que isso não é justificativa para que, antes da prova, apenas 10% dos alunos tenha chegado ao fim das aulas. Para os alunos que receberam certificados, não foi a dificuldade que deixou os colegas pelo caminho. Para o professor, tampouco foi o conteúdo. "Acredito que as aulas até ficaram melhores do que as presenciais. Dei mais detalhes, curiosidades, pensei em despertar o interesse de mais gente", diz Vanderlei Bagnato, responsável pelo curso. O motivo da evasão é uma incógnita não apenas para a USP, mas para a imensa maioria das universidades mundiais envolvidas com os Moocs. Especialistas começam agora a sugerir que o problema pode estar no próprio formato.

 

Nem revolução, nem fracasso
As primeiras experiências com Moocs começaram há seis anos, mas se popularizaram em 2012, quando cursos de várias das melhores universidades do mundo, como Stanford, MIT e Harvard, entraram em grandes plataformas on-line. Seguiu-se um otimismo generalizado com a possibilidade de levar o melhor ensino do mundo para todos os países e classes sociais.


O jornal The New York Times decretou que 2012 era o "ano dos Moocs" e um dos seus principais colunistas, Thomas Friedman, disse que "nada tem mais potencial do que eles para tirar pessoas da pobreza". O especialista em educação David Wiley previu que as universidades físicas ficariam irrelevantes já em 2020. Para Sebastian Thrun, pioneiro dos Moocs e fundador da plataforma Udacity, sobrariam apenas dez faculdades; o resto das aulas seria on-line.

Assim que os primeiros dados sobre esse tipo de educação começaram a aparecer, entretanto, o otimismo desceu do que a consultoria Gartner chamou em julho de 2013 de "pico de expectativas infladas".


Primeiro, um estudo da Universidade da Pensilvânia, de dezembro de 2013, constatou que, em 32 cursos da plataforma Coursera (uina das maiores), apenas 4% saíam aprovados. O número foi bem parecido (5%) quando, no mês seguinte, pesquisadores de Harvard e do MIT analisaram a plataforma conjunta das universidades, a edX. Esse estudo trouxe um número ainda mais preocupante: 91% dos alunos sequer tinham visto metade do conteúdo da aulas.


Resultados como esse fizeram Sebastian Thrun - o da previsão de que restariam dez faculdades - reverter a empolgação e dizer à revista Fast Company que os Moocs são "um produto inferior". O dono da Udacity é o professor mais reconhecido dessa área - o que fez sua declaração cair como uma bomba. A partir da constatação, ele decidiu mudar o foco da sua empresa para cursos voltados a instituições privadas.

Dados negativos como esse não mudam a opinião de Carlos Souza, CEO e cofundador do Veduca (a plataforma on-line da USP) de que a primeira iniciativa brasileira representa uma vitória. "Milhares aprenderam, alguns fizeram a prova, outros passaram. Isso vai ao encontro do objetivo de

democratizar a educação", afirma. O raciocínio vale também para as desanimadoras estatísticas internacionais. Colocados em perspectiva, os 4% de aprovados no Coursera correspondem a 16 mil estudantes, e os 5% da edX são 43 mil pessoas, quatro vezes o número de vagas da USP, por exemplo. Olhando dessa forma, o resultado não parece ter sido tão ruim assim.

 

É exatamente por isso que o presidente da edX, Anant Agarwal, reclama de uma comparação injusta. "Enquanto as universidades têm um processo seletivo árduo, qualquer um pode se inscrever em um curso on-line por impulso, com apenas um clique", afirma. O professor argumenta que nos cursos on-line, além dos alunos que tentam obter o certificado, há aqueles que querem assistir apenas a uma aula, para tirar uma dúvida, e os curiosos sobre o funcionamento da plataforma.


Dá para ilustrar esse fenômeno dividindo os inscritos nas aulas em quatro categorias, como fez o analista educacional Phil Hill. Segundo ele, a maioria são lurkers (ou "espreitadores"), que sequer acessam o conteúdo antes de desistir, e drop-ins (aqueles que estão "de passagem"), que assistem a uma ou duas aulas. Os participantes passivos, que acompanham as aulas e fazem exercícios mas não discutem em fóruns, e os participantes ativos, que interagem com colegas e professores, são os grupos mais raros.

 

Democratização?
O Veduca e várias plataformas mundiais fizeram levantamentos para entender melhor esse grupo de participantes ativos - o que chega ao fim das aulas e consegue os certificados. Os dados apontam que de 60% a 80% deles são estudantes que já têm diploma universitário, o que levanta mais uma importante questão. Se o público que consegue passar pelas dificuldades e terminar o curso on-line é justamente o que menos precisa dele, onde está a "democratização do ensino" prometida pelos Moocs?


Antes de se resignar e decidir mudar de rumos, Sebastian Thrun, o fundador do Udacity, tentou reverter essa "elitização" criando alternativas mais inclusivas. Em 2012, ofertou um Mooc experimental, de matemática básica, para estudantes de baixa renda que corriam risco de levar bomba no ensino médio e na universidade.


O curso custava US$ 150, um terço da versão presencial e tinha acompanhamento personalizado. Além disso, os participantes acumulavam créditos na escola graças a uma parceria com o governo da Califórnia. Foi um fracasso: apenas um em cada quatro alunos on-line escapou da reprovação. Em comparação, metade daqueles que tiveram acesso a aulas de reforço presenciais conseguiram passar.


Carlos Souza, do Veduca, diz que não é uma questão do curso on-line substituir o tradicional, como no experimento do Udacity, mas de complementá-Io. "O curso presencial, obviamente, tem uma profundidade muito maior. O contato do professor com o aluno facilita muita coisa", admite. Para Jason Lodge, especialista em aprendizado da Universidade de Griffith, os problemas estão no formato dos Moocs. "Assistir a alguns vídeos e responder a algumas perguntas de múltipla escolha não pode ser considerado pedagogia de última geração", escreve em artigo recente na revista on-line E-campus News. O especialista acrescenta que o objetivo da educação superior é transformar o jeito de pensar. "Tentar acelerar e baratear esse processo muda também o resultado".

 

Recuperação

Ainda faltam dados para entender melhor o que leva as pessoas a largarem os cursos. Estudos que estão sendo conduzidos neste momento pela Universidade de Pensilvânia e pela plataforma edX
pretendem aprofundar-se nessa questão, mas, enquanto isso não acontece, já existem iniciativas tentando resolver o problema. "Há um investimento em tecnologias que permitem maior interação e personalização nesses cursos, que vão torná-Ios mais eficientes do ponto de vista do ensino e da aprendizagem", diz a especialista em e-Iearning Denise Lotito, para quem os Moocs ainda estão na sua primeira fase. Como exemplo dessas tecnologias, ela cita laboratórios virtuais para a realização de experimentos de forma remota.


Um deles é o Phet Interactive Simulations, mantido pela Universidade do Colorado, que já tem em seu acervo experiências nas áreas de física, química, biologia e matemática - algumas traduzidas para o português. Numa atividade de física, por exemplo, a plataforma permite que o aluno selecione diferentes pesos e analise como sua escolha altera a forma de uma mola por meio de simulações.


Nessa linha, o Google lançou recentemente o Oppia, uma ferramenta aberta, voltada aos professores. Nela, é possível criar provas, programar experiências e reproduzi-Ias on-line em qualquer lugar do mundo. E, em território nacional, o Veduca também promete modificar o formato dos seus Moocs para que eles tenham mais projetos em grupo, além de encorajar a interação entre alunos por meio de uma ferramenta similar a um fórum, que deve estrear no segundo semestre.


Isso vai afetar a taxa de desistência dos cursos abertos on-line? O especialista Phil Hill diz acreditar que sim. "Os Moocs já estão evoluindo, daqui a alguns anos não teremos apenas os vídeos. Eles serão oferecidos e consumidos de outra maneira. E, como estamos passando da fase hype, menos pessoas vão se inscrever só para conhecer essa novidade."

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Pesquisa da Universidade de Stanford mostra que os estudantes que entram no curso mais tarde costumam chegar menos ao final das aulas.

 

ORGANIZE-SE

Nas aulas da USP, os alunos aprovados, afirmam que sempre separavam algumas horas por dia para o curso, o que os ajudou a continuar.

 

TIRE DÚVIDAS

A mesma pesquisa da Universidade de Stanford indica que os que participam menos nos fóruns de dúvidas são os que menos terminam o programa.

 

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