Como falar e manter a atenção dos ouvintes.

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Num mundo cada vez mais cheio de distrações, métodos de contar histórias precisam ser repensados.

Revista Época Negócios - por Márcio Ferrari


O Centro Nacional de Informação em Biotecnologia, dos Estados Unidos, calcula que o tempo médio durante o qual um ser humano consegue manter a atenção em alguma coisa caiu de 12 segundos no ano 2000 para 8,25 segundos em 2015. Mesmo um paletrista e consultor de empresas experiente como Bob Caporale, autor do livro Creative Strategy Generation ("Geração da estratégia criativa", publicado este ano nos EUA pela MacGraw-Hill), consciente das numerosas fontes de distração dos dias atuais, percebeu que suas habilidades de contador de histórias precisavam ser repensadas quando seus ouvintes em ambientes de trabalho começaram a dar sinais de impaciência e rápido esquecimento.

Num artigo para a revista americana Fast Company, Caporale compartilha as questões que o levaram a repensar as regras de uma boa contação de história que não dure muito mais do que um minuto e satisfaça, na medida do possível, a fórmula que "funciona há séculos na literatura e nas artes": introdução, ascenção, clímax, queda e solução. É imprescindível que a história prenda a atenção do ouvinte logo de cara, e com algo mais do que um pedido de silêncio. Não basta lançar mão de técnicas de entretenimento. É preciso criar uma conexão - ou seja, tocar em questões que tenham importância para a vida do interlocutor. É ai que entra o poder das histórias: funcionam muito bem quando provocam a imaginação e fazem quem ouve imaginar a si mesmo naquele papel. O mesmo vale para quem conta. Um modo de saber o que pode cativar a "audiência" é procurar em si mesmo assuntos e situações que desencadeiem uma memória emocional forte.

Por mais que a história que está sendo contada tenha esse poder, no entanto, nos dias de hoje ela precisa ser curta. Uma vez que a atenção do ouvinte tenha sido capturada, a narrativa já deve começar a apontar para a solução. Por isso, uma boa técnica para criar uma história é começar pelo final e elaborar o início a partir daí. As sentenças devem ser curtas, claras e estimulantes.

Numa comunicação relacionada a assuntos corporativos, a organização narrativa clássica pode ser reduzida a três fases: a situação atual, o ponto que se quer alcançar e como chegar lá - mas sem que esse "esqueleto" soe esquemático e desprovido de emoção. Esse esquema, segundo Caporale, corresponde ao que qualquer pessoa implicada no assunto em pauta quer ouvir. Pelo menos até que a capacidade média de atenção dos seres humanos diminua mais alguns segundos.