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Entrevista: como entrar em uma das 30 melhores empresas

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O que as companhias mais procuram nos candidatos e como entrar em uma das 30 melhores.

Revista Você S/A - por Úrsula Alonso Manso

Seja você mesmo. Sim, o conselho pa­rece vago. Mas, pode ter certeza, é o que as empresas querem dos jovens que batem à sua porta atrás de uma oportunidade profissional. E, pen­sando bem, não há nada mais fácil do que ser você mesmo. Como diz a diretora de recursos humanos do Google para a América Latina, Mônica Santos: "Quem tenta ser o que não é tem grande chance de termi­nar contratado para trabalhar onde não gos­taria. O jovem precisa buscar a organização que tem a ver ele". No discurso dos RHs das melhores empresas para começar a carreira, a empatia entre jovem e organização, ou fit, como se diz no jargão de recursos humanos, se dá pelo alinhamento de valores. De acordo com a diretora de desenvolvimento da Cia de Talentos, Sandra Cabral, a sustentabilidade dos negócios no longo prazo depende desse alinhamento dos funcionários à cultura corpo­rativa. A felicidade do jovem no trabalho tam­bém. Por isso, ele precisa ter consciência das escolhas que faz. "Há aqueles que se inscre­vem em tudo quanto é programa de seleção para ver no que vai dar, mas essa é uma ati­tude de quem entra no processo sem conhe­cer a organização, o ambiente e o negócio em que quer estar", afirma Sandra.

Olhar para o ambiente no qual quer atuar faz parte de um amplo exercício de autoco­nhecimento e exige ser sincero consigo mes­mo. "Quem não tem um perfil mais agressivo não tem o que fazer numa mesa de negocia­ções de um banco de investimentos. Ao ana­lisar uma oportunidade, o jovem deve se per­guntar se está pronto para um ambiente competitivo ou se prefere algo mais tranquilo", diz Sandra. A mesma reflexão pessoal vale para as etapas presenciais dos processos seletivos. Hoje, a tecnologia está cada vez mais presen­te nos processos de estágio e trainee, tanto na sua divulgação quanto na escolha dos candi­datos. Com tradição de palestrar em univer­sidades, para apresentar a empresa e se apro­ximar dos jovens, a DuPont acabou de criar uma página no Facebook especialmente para o lançamento, este ano, de seu programa de trainees. Já a Dow, cujo programa de trainees existe desde 2008 e já recebeu 200 jovens ­ empregando, efetivamente, 98% deles ao fi­nal do programa -, usa plataformas online para testes de inglês, raciocínio lógico e co­nhecimentos gerais, que acontecem antes das dinâmicas e entrevistas. Como consequência do uso mais intensivo da tecnologia, porém, as etapas presenciais tendem a assustar ca­da vez mais os candidatos.

Prepare-se para se expor

"Entrevistas e dinâmicas são situa­ções de tensão, respire e se envolva ao máximo. Se o gestor não for claro, pergunte, peça para ele explicar de novo", aconselha Sandra, da Cia de Talentos. "Nas entrevistas, procuramos co­nhecer o momento da pessoa, como pensa, como age e o que a motiva", diz Cláudia Pohl­mann, diretora de RH da DuPont do Brasil, que ingressou na companhia como estagiá­ria. Sendo assim, se exponha, mas sem for­çar nenhuma situação. "É falsa a premissa de que passa na entrevista quem fala mui­to. O que se observa é a contribuição que o jovem faz, por isso não adianta falar muito, repetindo o que outros já disseram", acres­centa Sandra. Para se preparar para as per­guntas comportamentais, pense nas expe­riências e realizações que teve na vida. No Google, por exemplo, são quatro os atribu­tos exigidos dos funcionários: liderança, ha­bilidade cognitiva, conhecimento técnico e googlyness - como chamam o alinhamento à cultura. "Como um jovem vai demonstrar li­derança sem ter experiência profissional an­terior? Bom, ele foi capitão do time? Montou uma banda? Organizou o diretório acadêmi­co da universidade?", indica Mônica Santos, a diretora de RH da companhia.

• Novidades na seleção

Entre as novidades dos processos sele­tivos, Sandra Cabral, da Cia de Talen­tos, aponta os programas de âmbito re­gional, que estão deixando de ser ten­dência para se tornar realidade. Na Chemte­ch, a Maratona de Engenharia é uma dispu­ta tecnológica aberta a alunos de instituições do Brasil, da Argentina, do Chile, da Colôm­bia, do México e do Peru. "Este ano, o tema é projetar uma plataforma para o pré-sal'', con­ta Mauro Peixoto, gerente de RH da empresa. A Chemtech dá treinamento de três a quatro meses aos jovens inscritos na maratona e as duplas que forem se saindo melhor no cum­primento das tarefas e nas avaliações vão para a final com seus professores orientadores. Os vencedores levam prêmios como iPads, net­books e iPods, e a possibilidade de fazer está­gio na companhia. Outra novidade no merca­do é buscar profissionais nos MBAs, como faz o Google no programa Summer Job, destina­do a latinos que estão estudando nos Estados Unidos e na Europa. Eles passam por seleção e são contratados para trabalhar no Google por cerca de dez semanas, durante as férias de verão do MBA. Em 2011, o programa abriu quatro vagas. Para este ano, são dez.

Mas ... E se depois disso tudo você che­gou à final e não ganhou a vaga? Calma. Não há motivos para desanimar. "Temos caso de candidato que participou de dois processos, foi para um cadastro reserva e acabou en­trando na empresa numa terceira seleção", diz Cláudia, da DuPont. "Quando faz a ava­liação final para um programa de trainee, por exemplo, a companhia está buscando trainees, é claro, mas também está atenta se o jovem pode se encaixar em alguma outra vaga, como a de analista", diz Sandra, da Cia de Talentos. "Ou seja, ele sempre pode receber proposta para entrar na organização por outra porta", diz a especialista.

• Como se dar bem em uma seleção

Saiba como conquistar uma vaga nas 30 melhores empresas para começar a carreira.

- Nas dinâmicas de grupo, os deslizes acontecem, na maior parte das vezes, simplesmente porque o candidato não leu direito o que está sendo pedido. Por isso, acaba entregando outra coisa. Concentre-se no que estão lhe perguntando.

- Na seleção, o entrevistador quer saber sobre os desafios, as conquistas e as experiências que você teve na vida. Reflita sobre esses momentos e entenda no que eles contribuíram para sua formação e futuras escolhas.

- Procure conhecer a empresa antes da entrevista. Se informe sobre seu negócio, mercado, concorrência, produtos, consumidores e resultados. Consulte atuais ou ex-colaboradores. o entrevistador espera conversar com alguém que fez o dever de casa.

- Mais importante do que ter oportunidades é contar o que fez com elas. Você teve experiência fora do país? O que trouxe na bagagem? Não vale responder que foi um iPod. o entrevistador quer saber como você aproveitou a experiência.

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