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Quais são os poderes da cafeína

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Segundo pesquisa divulgada há três semanas pelo Instuto brasileiro de geografia e Estatística, o café é o alimento mais consumido  no país. Em média, cada brasileiro toma 215,1 mililitros da bebida por dia, o equivalente a quatro xícaras pequenas.

Revista Veja - por Daniela Macedo

E, com o cafezínho, ele ingere o estimulante narural mais popular no mundo: a cafeína. Diz a lenda que os poderes do café foram descobertos na Abissínia (hoje Etiópia), no século IX, quando um pastor notou que as ovelhas saltitavam cheias de energia depois de comer as frutinhas vermelhas. Mas a substância está presente não só na bebida preferida dos brasileiros. Chás, refrigerantes, chocolates e até analgésicos também apresentam doses variadas do estimulante. "Há muitos mitos sobre osefeitos da cafeína, mas os estudos mostram que o uso moderado não oferece riscos à saúde", diz o nutrólogo Carlos Alberto Werursky, diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). Com a ajuda de especialistas, VEJA elaborou este guia sobre os efeitos da substância.

• Consumo diário recomendado

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda que o consumo diário não ultrapasse 250 miligramas, ou pouco mais de dois cafezinhos expressos. Mas esse valor deve ser tomado apenas como referência, pois pode variar conforme as características pessoais. "Além de o efeito da cafeína estar associado ao peso corporal, cada organismo apresenta uma sensibilidade diferente à substância, de acordo com fatores genéticos", explica o cardiologista Marcus Malachias, da SBC.

Como a substância atua no organismo

A cafeína entra na corrente sanguínea e atua em partes distintas do organismo por algumas horas. "Sua ação atinge o pico por volta de uma hora após o consumo", diz Andrea Andrade, nutricionista da RGNutri.

- Cérebro: a cafeína reduz a sonolência, pois inibe a ação de uma substância calmante produzida pelo cérebro châmada adenosina. Tem também ação estimulante, por aumentar os níveis de dopamina e noradrenalina, neurotransmissores associados à sensação de bem-estar, euforia e estado de alerta.

- Sistema cardiovascular: ao elevar a produção de adrenalina pelas glândulas suprarrenais, a cafeína desencadeia uma série de alterações cardiovasculares, como o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial e a contração dos vasos sanguíneos.

- Medula espinhal: a cafeína pode acelerar o arco-reflexo, uma resposta involuntária do corpo que não sofre a ação do sistema nervoso central. Ele ocorre quando tiramos a mão imediatamente ao tocar uma superfície quente, por exemplo.

- Músculos: atua na placa neuromotora, nervos ligados à fibra muscular, estimulando os movimentos de contração e relaxamento dos músculos. Isso reduz a fadiga muscular e aumenta a resistência física. Daí o uso da substância na forma de suplemento por atletas.

• Efeitos indesejáveis

Como o organismo tende a se adaptar ao estimulante, quem toma café ou chás cafeinados com regularidade torna-se mais tolerante à substância. Assim, os efeitos indesejados são associados, em geral, ao consumo esporádico ou excessivo. Os mais comuns são ansiedade, agitação, desconforto gastrointestinal, taquicardia, tremores e insônia. "A aceleração dos batimentos cardíacos é temporária, mas pode acentuar problemas de arritmia", diz o carctologista e nutrólogo Daniel Magnoni.

A insônia acomete principalmente os consumidores esporádicos, que devem evitar bebidas com quantidade superior a 100 miligramas da substância até seis horas antes de dormir ­ quando a ingestão é eventual, os efeitos estimulantes tendem a se prolongar.

• Cafeína X emagrecimento

A substância tem ação termogênica, ou seja, aquece o corpo e acelera o metabolismo basal (gasto calórico em repouso). "Os estudos mostram um aumento de 4% a 7% no metabolismo basal por períodos de até 48 horas após a ingestão de bebidas ricas em cafeína. No entanto, com a adaptação do organismo, o uso crônico não resulta em perda de peso", diz Rosana Radominski, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. A cafeína ainda tem leve efeito diurético, ajudando a eliminar água e sódio.

Bebidas que protegem

Estudos mostram que o consumo regular de chá e café pode trazer benefícios à saúde

- Diabetes tipo 2

Vários estudos apontam uma relação entre a cafeína - principalmente a que vem do café - e a redução no risco de desenvolver diabetes tipo 2. Uma vez que se desconhece o mecanismo dessa ligação, não é possível afirmar que a cafeína seja a única responsável pelo benefício. "Outras substâncias presentes no café, como o magnésio, podem ter efeitos sobre o metabolismo da glicose", diz a endocrinologista Rosana Radominski.

- Alzheimer e Parkinson

"Estudos epidemiológicos revelam que há uma associação inversa entre o consumo moderado de cafeína e os processos neurodegenerativos", diz o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky. A prevenção se daria pela melhora das funções cognitivas e pela redução dos níveis da proteína beta-amiloide, associada a essas doenças.

- Câncer

Uma pesquisa que analisou os hábitos alimentares de mais de 400.000 europeus revelou que aqueles que bebiam pelo menos 100 mililitros de café ou chá diariamente apresentavam um risco 34% menor de desenvolver um tumor maligno no cérebro do que aqueles que não consumiam essas bebidas.

Mitos e verdades

O que afirmam os médicos sobre os riscos popularmente atribuídos à cafeína.

- Gestantes

O que se diz: devem evitar bebidas cafeinadas, já que elas aumentariam o risco de aborto e má-formação do feto

O que se sabe: não há comprovação científica de que a cafeína seja prejudicial, mas alguns estudos apontam uma relação entre a substância e o aborto espontâneo ou o baixo peso do bebê. "Como existe tal suspeita, as gestantes devem evitar o excesso de cafeína. O ideal é consumir, no máximo, de duas a três xícaras de café por dia", diz o obstetra paulista Alfonso Massaguer

- Mulheres

O que se diz: a cafeína provocaria osteoporose, pois prejudica a absorção de cálcio pelo organismo.

O que se sabe: duas xícaras de café impedem a absorção, em média, de 2 miligramas de cálcio - para se ter uma ideia, um copo de leite desnatado possui cerca de 300 miligramas do mineral. . "Essa perda não compromete a massa óssea, principalmente se a mulher consumir pelo menos um copo de leite todos os dias", diz o nutrólogo Werutsky. Fazer um intervalo de uma hora entre o chá ou o café e a ingestão de alimentos ricos em cálcio ajuda a minimizar essa interferência. Só para esclarecer: pôr leite no café não ajuda nem atrapalha.

-  Hipertensos

O que se diz: a cafeína seria contraindicada para os hipertensos por elevar a pressão arterial.

O que se sabe: "O café saiu, definitivamente, da lista negra do coração", diz o cardiologista Marcus Malachias. A elevação da pressão arterial após o consumo de cafeína é mínima e temporária. Portanto, o consumo moderado não representa risco aos hipertensos (mas frise-se: moderado). Além disso, a bebida contém antioxidantes que preservam os vasos sanguíneos, já que inibem a ação nociva de radicais livres sobre as paredes das artérias. Como o café contém cafestol e kahweol, duas substâncias que fazem subir o colesterol ruim, prefira o café coado, pois o filtro de papel as retém.

• Onde a cafeína pode ser encontrada

Produto

Medida       

Quantidade média de cafeína (mg)

Café expresso

1 xícara (80 ml)

100

Café filtrado

1 xícara (50 ml)

35

Chá-preto, verde ou branco

1 xícara (180 ml)

45

Energético

1 lata (250 ml)

80

Refrigerante à base de cola

1 lata (350 ml)

50

Chocolate

1 barra (60 g)

25

Analgésico

1 comprimido

65

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