Oratória é mais do que falar bem

Você tem talento para persuadir pessoas. Aprenda a usá-lo.

Aprenda Liderança no Cinema

ImprimirEnviarFavoritos

Quer inspirar sua organização? Conquistar a lealdade eterna de seus funcionários? Transformar crises em vitórias? Veja alguns filmes.

Revista Você S.A. - por Leigh Buchanan e Mike Hofman

Os filmes de Hollywood estão se torrnando parte integrante dos currículos das escolas de administração nos Estados Unidos. Os professores usam Wall Street - Poder e Cobiça para ensinar ética e traçam paralelos entre Tom Peters e Tom Cruise (em Jerry Maguíre - A Grande Virada). "Os filmes nos mostram problemas dramáticos, crises e voltas por cima", explica John K. Clemens, professor de administração e educação executiva no Hartwick College de Oneontas, Nova York. Clemens usa em seus cursos filmes como Momentos Decisivos (Hoosíers) e Cidadão Kane. Ele também é co-autor do livro Movies to Manage by: Lessons in Leadership from Great Films (NTC/Contemporary Publishing Group, 1999 - Gestão baseada no cinema: lições de liderança tiradas de grandes filmes). "Das discussões sobre os filmes, empresários e executivos tiram princípios que podem aplicar no dia-a-dia".

Apesar dessa ratificação acadêmica, prevíamos ser recebidos com frieza quando, recentemente, pedimos a cerca de 100 leitores que virassem críticos de cinema. Quase dois terços das pessoas a quem enviamos questionários nos responderam. Algumas deixavam recados entusiasmados em nossa secretária eletrônica. Quase todas essas mensagens terminavam com a recomendaação: "Se você ainda não viu, vá alugar ainda hoje!"

Uma executiva contou que Presente de Grego (Baby Boom), em que Diane Keaton deixa uma vida agitada de executiva para se tornar mãe e abrir sua microempresa, inspirou-a a abrir sua pequena empresa. Outro executivo aproveitou a comédia Nosso Querido Bob (What About Bob?), sobre um paciente que atormenta seu psiquiatra, para ajudá-lo a lidar com um funcionário problemático.

O mais freqüente, porém, foi ver leitores elogiando filmes que tratam de dilemas pessoais e éticos. "Os melhores filmes sobre liderança tratam dos elementos fundamentais, como a presença ou ausência de integridade e confiança", conta Clemens. Os leitores certamente vão discordar de alguns dos filmes incluídos na lista a seguir e reagir com fúria à ausência de outros. Mas isso é de esperar. Classificar filmes em listas de melhores ou piores não é fácil.

  • Apollo 13 - Do Desastre ao Triunfo

    "O fracasso não é uma opção", frase que virou símbolo do filme Apollo 13, já foi integrada a pelo menos metade das declarações de missão das empresas americanas. E por que não? Os astronautas e a equipe da missão em terra dão um exemplo de liderança sensata, calma e criativa durante uma crise extremamente tensa. Gene Kranz (Ed Harris), encarregado das operações da missão na base em Houston, e Jim Lovel (Tom Hanks), comandante da missão lunar da Apollo em 1970, não são homens que têm sonhos grandiosos ou personalidades inspiradoras. São sujeitos confrontados com um probleema urgente que só pode ser resolvido com trabalho de equipe, criatividade e direção sensata. E eles demonstram possuir todas essas qualidades em abundância. É de Kranz a ordem: "Sugiro que vocês, cavalheiros, inventem uma maneira de enfiar um poste quadrado num buraco redondo, e rápido". Lovell, por sua vez, supervisiona uma equipe submetida ao estresse mais horrendo imaginável.

    O filme também trata do papel da comunicação na liderança. Kranz e Lovell suprimem as discussões inúteis. Nunca passam adiante informações incompletas ou alarmistas. E mantêm uma comunicação verbal - e emocional - constante entre os homens em terra e os homens no espaço. Com isso, eles conservam o máximo de controle numa situação caótica e inspiram confiança nas duas equipes. É claro que os líderes querem lealdade e engajamento total de seus subordinados, mas devem conquistar a confiança deles em primeiro lugar. E, afinal, o fracasso não é uma opção.

  • A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, 1957)

    Nenhum estudo de liderança seria completo sem uma lição sobre soberba. E, em matéria de soberba, ninguém se compara ao império britânico, especialmente em sua fase final. As tristes conseqüências desssa arrogância são ilustradas de maneira brilhante em. A Ponte do Rio Kwai. A história conta como um regimento britânico, capturado pelo exército japonês, constrói uma ponte ferroviária estratégica durante a Segunda Guerra Mundial.

    A soberba nesse filme é personificada pelo coronel Nicholson (Alec Guinness), o orgulhoso e rígido oficial britânico que dirige o projeto de construção. Como muitos grandes administradores, Nicholson demonstra possuir poderes espantosos de organização e implementação. Mas, como muitos líderes que têm defeitos, ele nunca questiona para que está usando suas habilidades. Seu estilo autocrático e inflexível de direção, porém, resulta num aumento de produtividade de 30%, e a ponte é concluída com eficiência e rapidez. Para satisfação do coronel, seus homens sentem a humilhação de sua captura mitigada pelo orgulho de sua realização.

    Tudo isso é ótimo, mas é claro que, ao ajudar o inimigo a melhorar sua logística, eles não agiram nos interesses do exército britânico.Obcecado com a honra e a visão de seu próprio legado, Nicholson nunca pára para formular a pergunta mais importante: estou fazendo isso para mim mesmo ou para a organização? A execução é priorizada, em detrimento da estratégia. E, quando isso acontece, tanto nos negócios como na guerra, os resultados só podem ser catastróficos.

  • Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989)

    O professor de inglês John Keating consegue arrancar um poema de força contundente de um aluno que, momentos antes, declarara-se incapaz de compor o mais banal dos versinhos. O estudante fica em pé diante de seus colegas entusiasmados, emocionalmente exaurido e espantado com o que ele mesmo conseguiu, enquanto Keating o olha com expressão quase extasiada.

    Keating (Robin Williams) incentiva seus alunos a asssumir seu destino em suas próprias mãos e questionar a autoridade. Para ele, nenhuma regra é tão profundamente enraizada que não possa ser rompida. Keating inspira uma devoção extraordinária entre os alunos. Ele é o tipo de líder que transforma a vida de jovens.

    Mas recomendá-lo como modelo seria um erro de crítica, pois ele não tem paciência com a política institucional e não faz nada para promover a lealdade para com a organização. Apesar disso, é fácil imaginar o personagem liderando uma empresa de Internet. O único problema é que os investidores não demorariam a exigir que fosse trocado por um executivo de verdade.

  • Elizabeth (Elizabeth, 1998)

    Os executivos que acham que um líder nasce líder devem se tranqüilizar ao assistir Elízabeth. Ela declara logo no princípio do filme: "Quando eu for rainha, prometo agir conforme os ditames da minha consciência".No entanto, quando assume o trono e mergulha de cabeça no turbilhão da política e da religião, Elizabeth (Cate Blanchett) se inquieta, hesita e acaba seguindo os conselhos equivocados de outras pessoas.

    Elizabeth acha que nunca vai igualar-se ao pai, Henrique VIII, em sua habilidade para administrar o negócio da família. Mas ela aprende a vencer com a força de sua personalidade, em lugar de recorrer ao poder da sua posição. Sofrendo uma traição após outra, ela se torna perita em avaliar as pessoas e aprende a confiar apenas em sua própria intuição e no único nobre que lhe é leal.

    Sua decisão de devoção total a seus súditos pode ser compreendida por uma pessoa que luta para cumprir com as exigências da família e do negócio próprio. Elizabeth governou por mais de 40 anos e, quano morreu, a Inglaterra era o mais poderoso e próspero país da Europa.

  • Um Estranho no Ninho (One Flew over the Cuckoo's Nest, 1975)

    Se ser um líder visionário for enxergar o que não está ali e fazer as pessoas enxergar também, Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson) é um deles. Ele é proibido de assistir a um jogo de beisebol na TV pela enfermeira do hospital psiquiátrico onde está internado. Com isso, ele passa a narrar jogadas imaginárias, olhando a TV desligada. Os outros pacientes logo gritam e torcem.

    A disputa entre McMurphy e a enfermeira é um estudo de estilos diferentes de liderança. A enfermeira é toda rigidez e regras; ela deriva seu poder de sua capacidade de humilhar e atemorizar um público vulnerável McMurphy, por outro lado, devolve aos pacientes a crença na possibilidade de ser felizes.

    Mas McMurphy comete o mesmo erro de líderes novatos: promove mudanças sem compreender por que as coisas estão como estão. Usando seu carisma e desobedecendo às regras que não fazem sentido, ele dá a impressão de ser apenas um rebelde. Tarde demais, porém, aprende que a organização é profunda e complexa. Sim, o mundo pode ser transformado por uma única pessoa - mas não por um ingênuo.

  • Norma Rae (Norma Rae, 1979)

    Norma Rae (Sally Field) e sua família trabalharam toda a vida numa fábrica que está sendo fechada. Em determinado momento, Norma rabisca a palavra "union" (sindicato) numa lousa e sobe numa mesa. Durante quase 3 minutos ela permanece lá, enquanto, um a um, os trabalhadores desligam suas máquinas. Essa talvez seja a mais contundente instância de persuasão sem palavras já vista no cinema, e é testemunha do fato de que, quando se fala em liderannça, a oratória não é tudo.

    Os operários não reagem ao chamado de Norma Rae por se sentirem inspirados por ela pessoalmente. Eles conhecem seus defeitos - a facilidade em se irritar, seu passado sexual nada ilibado - bem demais para isso. No entanto, ela se transforma de seguidora passiva em rebelde controlada e, a seguir, em líder. O sindicalista nova-iorquino Reuben Warshofsky, que percebe seus dons latentes, tem com Norma uma relação brincalhona, mandona e intelectualmente desafiadora, que é um perfeito exemplo do trabalho de um mentor.

    Norma Rae nunca renega quem ela mesma é. Mas não deixa que isso a atrapalhe. Assim, consegue despertar a lealdade dos trabalhadores oprimidos ao mesmo tempo em que continua a ser um deles. Ela prova que não é preciso ser melhor do que as pessoas que se lidera. Para ser líder, você não precisa sequer acreditar em seu próprio potencial. Desde que acredite profundamente naquilo que faz, outras pessoas irão segui-lo.

  • Almas em Chamas (Twelve Q'ClockHigh, 1949)

    Almas em Chamas é a história da Segunda Guerra Mundial em que o general Frank Savage (Gregory Peck) assume o comando de uma unidade de bombardeiros. O grupo foi reduzido ao caos por um comandante cuja empatia comprometeu seriamente sua capacidade de liderar. Savage percebe que, para fortalecer e unir seus homens, precisa eliminar suas atitudes desafiadoras e derrotistas. Consegue com ordens sumárias. Primeiro, rebaixa um militar por estar sem uniforme. Depois, muda a disposição dos homens nos quartos para impedir que os relacionamentos pessoais subvertam suas decisões de combate. Os soldados se rebelam, mas Savage não cede. E, pouco a pouco, o maltrapilho 918º Agrupamento de Bombardeiros se transforma num esquadrão de elite.

    Almas em Chamas não agrada àqueles que criticam a hierarquia e que gostam de erguer culturas empresariais tão calorosas e receptivas quanto a sala de estar de suas casas. Savage alcança o que procura porque não dá a mínima para sua popularidade - preocupa-se apenas com a eficácia de seu esquadrão.

  • A Felicidade Não Se Compra (It's a Wonderful Life, 1946)

    Este filme, eterno favorito do público americano na época do Natal, é um tributo à adminisstração baseada em princípios. George Bailey (James Stewart) exemplifica o empresário empreendedor e dotado de consciência social. Ele mantém em pé seu banco de poupança e empréstimos ao estender as mãos às massas empobrecidas e desprezadas por seu concorrente mais rico. Por maior que a empresa possa se tornar, você sente que ele sempre tratará seus funcionários com respeito e consideração e sempre chamará cada cliente pelo nome. Esse empresário é um homem tão simples que é capaz de arregaçar as próprias mangas quando é preciso ajudar os clientes a mudar de casa.

    No universo do diretor Frank Capra, o homem colhe o que semeia. A generosidade de George em relação à comunidade é recompensada quando a comunidade lhe retribui, ajudando-o a salvar sua empresa ameaçada. É o maior gesto possível de lealdade dos clientes, e é aceito por ser tão profundamente merecido.

  • O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross, 1992)

    Os líderes interessados em contar com funcionários felizes, motivados e bem-sucedidos devem assistir a este filme. O segredo é estudar com cuidado as palavras e os atos dos gerentes retratados e fazer exatamente o contrário. Trata-se de uma visão amarga, cínica e, em última análise, trágica da empresa americana: a história de um punhado de vendedores imobiliários que luta para salvar seu emprego e algum resquício de dignidade numa organização que se esforça para humilhá-los.

    Os donos da empresa nunca dão as caras no escritório lúgubre onde se passa a maior parte da ação do filme. Em lugar disso, enviam para representá-los um "tubarão" elegante (Alec Baldwin), que censura os funcionários, já desmoralizados, num discurso arrasador. "Você está vendo este relógio?", pergunta a um vendedor. "Esse relógio custou mais do que seu carro. Ganhei 970.000 dólares no ano passado. É isso que eu sou. E você? Você não é nada".

    Não satisfeito em demolir a moral e a lealdade organizacional, o porta-voz dos proprietários segue em frennte. Ele joga por terra o trabalho de equipe e o espírito de coleguismo ao anunciar um concurso de vendas. O primeiro prêmio é um Cadillac Eldorado. O segundo, um conjunto de facas para churrasco. O terceiro prêmio é a demissão. Os vendedores mergulham numa espiral descendente de desespero, mentiras e crime. O filme serve de aviso às empresas que tratam suas equipes de venda com afagos extras quando produzem bem e com coises quando não o fazem. Se você não consegue administrar pessoas sem ameaçá-las, não sabe motivar sem intimidar, vai acabar perdendo em todas as frentes

    .
  • Doze Homens e Uma Sentença (Twelve Angry Men, 1957)

    É uma tarde quente e abafada e você está fechado numa sala sufocante ao lado de outras 11 pessoas. Você normalmente atravessaria a rua para não precisar encontrar muitas delas. A missão do grupo é tomar uma decisão com base em evidências aparentemente simples e conclusivas. Os outros membros do grupo imediatamente votam pela alternativa mais óbvia, que, ao que você sabe, pode muito bem ser a correta. Mas você tem uma dúvida que não o deixa tranqüilo. O que fazer?

    Se você for Henry Fonda em Doze Homens e Uma Sentença, o que faz é, com calma mas de maneira decidida, atirar sua dúvida sobre a mesa. A questão em pauta, no filme, é a culpa ou a inocência de um adolescente acusado de assassinar o pai. Os jurados têm personalidades e posturas conflitantes. Entre todos, Fonda (o jurado número 8) é o único que compreende a gravidade da questão e deplora a pressa em assegurar a condenação do rapaz. Mas, em lugar de puxar o cavalo com força na direção certa, o jurado número 8 recorre a outra tática para convencer os outros daquilo que pensa. Ele faz perguntas sem respostas predeterminadas, usa um raciocínio sofisticado e até mesmo ouve com paciência. O jurado número 8 raramente diz algo mais intransigente do que "Não sei" ou "É possível". No enntanto, consegue transformar uma reunião apática e burocrática num encontro repleto de dinamismo e paixão.

    A atuação do jurado número 8 serve de modelo para líderes empresariais que querem conquistar uma platéia hostil e diversificada sem recorrer a táticas autocráticas. Depois de assistir ao filme, muitos executivos talvez desistam de fazer seu mestrado em administração e ontem, no lugar dele, por um diploma em psicologia.

  • Novidades por E-mail
    Inscreva-se em nossa newsletter e tenha acesso a artigos, notícias de Oratória, Leitura dinâmica e Administração do Tempo.

    Nome:  
    E-mail:  
    Como conheceu?  

    * Se não gostar, pode sair da lista a qualquer momento.
    * Seu e-mail não será compartilhado com terceiros.