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Diversidade e Adversidades

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O discurso do trabalho em equipe e da diversidade é praticamente unânime mas alguém sabe do que está falando?

Revista Época Negócios - por David Cohen


A ênfase no trabalho em equipe e em seu corolário, a diversidade dentro do time, é um dos clichês mais abusados hoje em dia. É difícil discordar que o trabalho em equipe seja mais produtivo que o trabalho individual. Uma pesquisa da Universidade Kellogg concluiu que os times tem probabilidade 37,7 vezes maior de inovar do que autores-solo (em áreas já estabelecidas).

Mas o que significa esse trabalho em equipe? É a soma de vários trabalhos individuais? É a divisão de tarefas sob a direção de um líder? É algum ponto no meio? De certo modo, todo trabalho é de equipe. Porque a linguagem é um bem social, os objetivos e parâmetros com que trabalhamos são sociais. Mesmo numa obra de arte: Pablo Picasso se apoiou nas diversas fases de sua carreira, nos trabalhos de Edvard Munch, Toulouse, Paul Cézanne, Georges Braque. (Quando se quer frisar o gênio individual, chama-se isso de influências.)

Da mesma forma, a diversidade é inerente a qualquer equipe, porque não existem indivíduos idênticos. A verdadeira questão é: de que diversidade estamos falando? Scott Page, professor de sistemas complexos e economia na Universidade de Michigan, diferencia a diversidade aparente, baseada em estereótipos (gênero, etnias, idade, nacionalidade...), da diversidade baseada em modos de pensar, perspectivas de mundo, modelos de previsão - que são derivados da formação cultural, do treinamento e das experiências pessoais. Segundo ele, só o segundo tipo de diferenças produz resultados diferenciados. A seleção baseada em estereótipos pode ser inclusive prejudicial, porque as pessoas tendem a se ajustar às expectativas impostas a elas.

Dadas as enormes vantagens de montar times adaptáveis e criativos, vale a pena prestar atenção ao que dizem Rich Karlgaard (publisher e colunista da revista Forbes) e Michael S. Malone (jornalista especializado em tecnologia), autores do livro Team Genius:

1. Para evitar alta rotatividade (provocada pelo desconforto em times demasiadamente diversos) é imperioso promover o orgulho de pertencer ao grupo - com títulos, histórias, reconhecimento, aventuras vividas em conjunto etc.

2. A diversidade é mais positiva quando o grupo a entende como uma forma de aprender e aumentar sua capacidade de adaptação a novos desafios. Se a equipe acredita que a diversidade é uma vantagem competitiva, ela provavelmente será.

3. Times que ficam juntos por longos períodos produzem melhor. Isso ocorre porque há uma curva de aprendizado nas relações pessoais. Um modo de acelerar o processo é cada um escrever textos sobre suas características para os demais lerem. Mesmo assim, convém manter a equipe junta por mais de um projeto.

4. Numa equipe de especialistas, muita informação se perde. às vezes compensa acrescentar um generalista que traduza as descobertas para os outros.

5. Um conselho em voga é não criticar ideias alheias nas sessões de brainstorming. Mas pesquisas experimentais apontam que times instruídos a criticar e debater mesmo em sessões de brainstorming têm resultados melhores.

6. Para evitar a "mentalidade de grupo", que obstrui a criatividade, misture velhos amigos com estreantes. Porém, cada novo membro deve, antes de fazer críticas, conformar-se. Enquanto for considerado um estrangeiro, suas ideias serão menosprezadas.