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Os truques de Jobs

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 A neurociência explica o magnetismo das apresentações do ex-CEO da Aple.

Revista Época Negócios - por Alvaro oppermann

Entre as múltiplas facetas de Steve Jobs (1955-2011) estava a de exímio apresentador. Na Macworld, a feira anual da Apple, as apresentações de Jobs se tornaram eventos em si. "Steve Jobs foi o mais cativante comunicador que já existiu num palco", diz o coach em comunicação Carmine Gallo, autor do livro Faça como Steve Jobs - E Realize Apresentações Incríveis em Qualquer Situação. Segundo diversos neurocientistas, não foi por acaso que Jobs fez tanto sucesso com as plateias. Estudos mostram que o ex-CEO da Apple moldou suas palestras e conferências de forma a maximizar a atenção do cérebro humano. Eis as principais táticas de apresentação de Steve Jobs.

Sem Bullet

Jobs era adepto da simplicidade visual. Nada de bullet points ou recursos gráficos sofisticados. "O cérebro é preguiçoso, e assimila melhor os elementos visuais simples", diz o professor de neurociência Gregory Berns, da Emory University.

Frase curta

 O ex-CEO da Apple costumava criar chamadas curtas que resumiam o teor da sua apresentação. Na Macworld de 2008, ao apresentar o MacBook Air, disse: "É o mais fino notebook do mundo". "A frase curta, repetida, é a melhor forma do cérebro gravar uma mensagem", diz a professora de psicologia cognitiva Susan Gathercole, da York University.

O poder dos números

Jobs fazia um breve resumo no início da apresentação em itens numerados: 1, 2, 3... Ao dizer, por exemplo, "A primeira coisa que vou falar", o telão exibia o número 1. Segundo Berns, a associação de números com tarefas tem efeito poderoso sobre o córtex parietal posterior, região responsável pelo planejamento das ações.

Convidados especiais

 Dividir o palco com convidados é outro truque. Segundo Stephen Kosslyn, de Harvard, tal expediente é essencial à assimilação de mensagens quando as duas metades do cérebro estão mal utilizadas, e o pensamento não está focado. Numa apresentação longa, é normal a fadiga, e o cérebro entra no piloto automático. Chamar um convidado causa um "chacoalhão" cerebral.

A regra dos dez minutos

Ele guardava a principal atração da conferência para ser exibida a exatamente dez minutos do seu início.
Por exemplo, o comercial de TV do iTunes e do iPod na Macworld de 2007. Os minutos eram cronometrados. "É quando as pessoas começam a olhar o relógio", diz Medina. "Dez minutos é o tempo exato para o cérebro começar a ficar entediado."